Sim! Eu Amo Bruxas.

A história consagrou a dia 31 de outubro como o Dia das Bruxas e no calendário nacional comemora-se também, o dia do SACI.
Alegorias, fantasias, lendas… e que bom que temos a fantasia para não morrermos afogados na realidade.
Existe no ser humano uma dimensão fantástica que permite à crença derivada da superstição na causalidade dos acontecimentos que acaba, enfim, encetando uma série de dogmatizações e absolutizações. A crença no irracional, aspecto mais trágico da nossa civilização, tem se permitido à construção de todos os tipos de farsas, engodos, mentiras e manipulações.
Todos as crenças estão envoltas de manipulações e, hoje, não existe uma guerra no mundo que – por trás – não exista o dedo de uma religião, embora os motivos reais sejam quase escamoteados, torpes.
A religião é uma desgraça, mas é também um consolo e sem ela nossa vida se torna mais oca, mais vazia e sem sentido. Gostamos das mentiras e embriagamo-nos com qualquer crença, somos assim, tão frágeis, tão suscetíveis do engodo … a crença na irracionalidade é um mistério.

É claro que o pavor da morte, as incertezas no além vida, assombram-nos. E é aí que afloram os espaços para todos os gostos religiosos. Nossa sociedade é terrivelmente mística, somos cegos e manipulados facilmente por quaisquer arcabouços, sejam eles espíritas, cristãos, islâmicos, judeus, budista ou raio que o parta.
Por tudo, como eu também sou cego e idiota, prefiro às bruxas. As bruxas são reais, são mulheres, tem cheiro de sedução, exalam odores eróticos que só os loucos e desajustados anti-sociais conseguem captá-los. As bruxas desafiam as convenções, afrontam, chocam, ameaçam os “democratas” e sabem enganar a tudo e a todos.
As bruxas escondem o mistério das almas e conhecem o ápice do prazer. São carnais, são dissimuladas. Têm um rostinho de anjo, mas seus olhos e seus cabelos traem-nas. Os cabelos das bruxas são inconfundíveis. Elas fingem normalidade, simulam fidelidade, mas suas almas habitam a mansão do amanhã, são inquietas, devassas e seus pensamentos voam por todas os lugares em todas as direções.
As bruxas andam soltas, são indomáveis, indomesticáveis, transitam entre a razão e a loucura, vivem dentro e à margem da sociedade, quando estão dentro querem estar fora e quando estão fora querem estar dentro. Seus sonhos são ricos, detalhados e coloridos. Elas voam, no imaginário ou no real, estão sempre voando, descortinando novos horizontes, navegando na curiosidade que assalta.
As bruxas andam por toda a parte. São mulheres lindas, são fêmeas que transcendem à condição humana, têm tentáculos abstratos que se tornam reais ante a delicadeza dos seus gestos. As bruxas … ah as bruxas. O Brasil está cheio delas. Seu gozo é universal, animal, monstruoso, assustador, pecaminoso, misterioso, tem cheio de morte e uma certeza de regresso tênue depois do mergulho no incerto.
As bruxas, hoje, andam soltas por imperatriz, pelas ruas, pelos corredores, por todos os lugares. Elas não querem ser a normalidade, elas não querem ser padrão, elas querem apenas gozar o gozo incontido de uma volúpia milenar que habita suas almas. Elas não querem ser a convenção, elas querem ser a vazão.
Afinal, Bruxa, mulher, mulher bruxa. Em meio a onda mística, elas são o real, não as busque em vassouras, estas podem ser apenas símbolos fálicos emanados de um desejo. Não busque-as nos céus e nem tente vê-las exteriotipadas, com longos chapéus ou roupas pretas. Elas usam roupas coloridas, da moda, andam sorrindo, são simpáticas, são bondosas, são amáveis, são sedentas, basta descobri-las.
A todas, meu afeto. Minha compreensão e minha solidariedade.

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